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Boa parte de A Riqueza das Nações, o
clássico fundador dos economistas, tem por base a
descrição que o escocês Adam Smith faz
da Divisão do Trabalho.
No livro, Smith puxa do bolso a descrição de uma
fábrica de agulhas para explicar como ela funciona.
Após visitá-la, ele conta dezoito tarefas
diferentes que devem ser executadas para que metal bruto seja
transformado numa ferramenta útil para costureiras.
Proporcionalmente, 18 pessoas fazendo todo o processo não
seriam capazes de produzir tantas agulhas quanto o mesmo
número de pessoas executando tarefas específicas.
O argumento é maior, naturalmente: assim como numa
fábrica a divisão de trabalho aumenta a
produtividade, o mesmo se dá em toda a sociedade. E
é sobre este processo de
especialização do trabalho que nasce o
capitalismo.
Não custa dizer que Smith jamais clamou para si a autoria do
conceito. (Ele só disse que realmente visitou uma
fábrica.)
Um texto obscuro do século 12 descoberto pelo economista
sino-australiano Guang-Zhen Sun é provavelmente o inspirador
do escocês. O autor é al-Ghazali, um dos mais
importantes filósofos sufis da Pérsia. O pensador
parte da importância da divisão de trabalho na
sociedade para explicitar sua importância, incrivelmente,
numa fábrica de agulhas. A diferença é
que al-Ghazali identifica 25, e não 18 etapas.
Embora não exista uma data de
publicação para o ensaio persa, sabe-se que
al-Ghazali morreu em 1111. A Riqueza das Nações
foi publicado em 1776. Mais de seis séculos separam os dois
estudos. E não vai, aqui, qualquer demérito para
o escocês. Embora seu estudo tenha por base a
divisão do trabalho, ele vai muito além.
Mas, se Adam Smith é o pai do capitalismo, seu avô
é um teólogo islâmico.
via O Hermenauta
http://pedrodoria.com.br/category/religiao/isla/
arquivos:
Adam Smith e o Islã